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Sobre o crescimento do alcoolismo entre jovens e a necessidade de regulação publicitária

Certa vez, participando de uma roda de discussão com jovens em situação de vulnerabilidade, espantei-me ao ouvir um garoto de 12 anos, respondendo à pergunta da psicóloga que comandava a sessão, sobre o por quê de ele gastar todo o dinheiro que conseguia no consumo de cerveja. “Porque é bom”, responde o garoto. “E como você sabia que era bom?”, insiste ela. “Porque eu vi na TV”. Foi a primeira vez que ouvi alguém admitir explicitamente que seu estímulo inicial à ingestão de bebidas alcoólicas resultou do incentivo de propagandas comerciais, embora todos saibamos, ainda que intuitivamente, de sua eficácia. Caso contrário, as empresas produtoras não destinariam milhões de suas verbas para este fim e nem teriam um lobby e resistência tão cerrada a cada vez que se fale em regulação deste tipo de publicidade.

O fato é que os jovens brasileiros estão bebendo cada vez mais cedo e em maior quantidade. Uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), de acordo com dados do portal Uol Saúde “revela que o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já atinge 54% dos entrevistados e desses, 7% já apresentam dependência. O estudo foi realizado em 2004 e mostrou que entre jovens de 18 a 24 anos, 78% já fizeram uso da substância e 19% deles são dependentes.” Creio que uma pesquisa mais recente teria uma tendência de alta em todos esses índices. Para além do sofrimento pessoal e familiar que a doença do alcoolismo, por si só, causa, é preciso considerar o custo direto para seu tratamento no sistema de saúde pública e os custos e riscos indiretos decorrentes da associação entre álcool e direção; álcool e outras drogas; álcool e alteração no comportamento, que, por vezes, gera violência.

O uso abusivo de bebidas alcoólicas, sua glamourização e identificação com a diversão tornaram-se um símbolo de nossa atual cultura jovem. Cabe exigir e ensinar a eles mais responsabilidade no usufruto disso que eles chamam de prazer. Entretanto, seria absurdo desconsiderar a responsabilidade das empresas, do Estado e dos veículos de comunicação que aceitam divulgar suas propagandas. Para uma geração que cresce estimulada ao uso e abuso de álcool, pode ser difícil discernir acerca dos limites e conseqüências desta prática. É por isso que se torna forçoso regular a publicidade do álcool, a exemplo do que se fez com o cigarro e como acontece em vários daqueles países que costumamos citar quando queremos falar de altos padrões de civilidade.

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Antes que me acusem de caretice, este assunto tem chamado a atenção de toda a sociedade. Abaixo, os vídeos de dois bons programas de televisão exibidos recentemente sobre este assunto, "Profissão Repórter" e "A Liga". O contra-senso é que, no intervalo destes programas, não deixaram de ser exibidos os comerciais de bebidas alcoólicas...




 
  

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