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Eleições e Preconceito

Nada mais pertinente que comentar o resultado das eleições gerais, finalizadas há dois dias atrás, após longa jornada de troca de acusações, elaboração de factóides e em que não se viu nenhum projeto de país.


Porém nada mais tenebroso que a reação que o resultado causou na rede social Twitter. Graves exibições de preconceito contra as regiões Norte e Nordeste, chegando a volume suficiente para constar nos Trendig Topics (assuntos mais recorrentes) por razoável tempo durante o dia 1º de novembro sob a hashtag #nordestistos: http://xenofobianao.tumblr.com/.

Cabe acusar a improcedência da afirmação que o Nordeste elegeu Dilma, pelo simples fato de ser inverídica: Mesmo sem os eleitores do Norte e do Nordeste, Dilma venceria Serra

E mesmo que fosse procedente, nada seria mais justo uma região com a qual temos uma imensa dívida histórica (esquecida desde o ciclo da cana-de-açucar, resumindo-se praticamente a fonte de mão-de-obra barata para outras regiões) e que vem experimentando taxas de crescimento similares às chinesas gravite ao redor do governo de situação. Seu voto é especialmente legítimo, como defende brilhantemente a professora Maria Rita Khel, em texto que custou-lhe a cabeça no jornal o Estado de São Paulo, um dos mais entusiastas no coro de liberdade de imprensa e direito de expressão.

É só uma amostra triste de como certas demonstrações de ódio são tão covardes que apenas se revelam por trás de perfis digitais, manisfestações insustentáveis às claras. E nos evidencia o reconhecimento dos próprios ofensores a respeito da reprovabilidade de tal conteúdo, o que tolhe ainda mais sua credibilidade, se é que já contava com alguma.

Mais assustador, nos dá sinal de como opera o preconceito no (in)consciente brasileiro (e quebra o velho mito de democracia racial e paz sob miscigenação), expões que somos uma nação extremamente conservadora por baixo de um tênue simulacro de tolerância e fraternidade. Estamos entre os países que lideram em assassinatos de homossexuais, violência à mulher, camponeses, índios e jovens civis moradores dos grandes centros urbanos.

Apesar de eleita a primeira mulher presidente da República, nos resta um longo caminho rumo a uma Nação igualitária e justa de fato, livre de preconceitos como esse, que têm como principal aliado a condescendência silenciosa de quem os nega. Deixo uma citação de Darcy Ribeiro que explicita bem esse raciocínio


Pedro Cruz.

Um comentário:

Galera do Releituras disse...

é isso ae cara, está na hora de fazer o balanço das eleições

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